Têxteis portugueses a caminho do recorde absoluto

Têxteis portugueses a caminho do recorde absoluto

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A indústria têxtil portuguesa volta a mostrar sinais de boa saúde, com ritmos de crescimento sustentáveis. Os 4,664 mil milhões de euros faturados, só entre janeiro e novembro de 2016, á conta das exportações são disso um bom sinal. E basta que em dezembro repitam os €436 milhões vendidos ao exterior em novembro para que ultrapassem a fasquia dos cinco mil milhões. “Seria um recorde absoluto na história dos têxteis portugueses”, considera á VISÃO o diretor geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Paulo Vaz.

Em 2015, o otimismo já reinava no setor, quando fecharam o ano com €4,8 mil milhões de exportações. Para 2016, tudo indica que se concretizem os objetivos estratégicos apontados apenas para 2020: chegar aos cinco mil milhões. “Se conseguirmos atingir os €5,1 mil milhões, será um recorde absoluto. O máximo estava nos €5,078 mil milhões alcançados em 2001”, recorda Paulo Vaz.

Neste enquadramento, é fácil pressupor que o volume de negócios de 2016 ultrapasse os €6,8 mil milhões de 2015. “Estimamos que este ano ultrapasse os €7 mil milhões, podendo mesmo aproximar-se dos 7,2 mil milhões, caso as exportações superem largamente os €5 mil milhões”.

Também a balança comercial (diferença entre exportações e importações) continua a ganhar vantagem, com um saldo positivo de €1,097 mil milhões e uma taxa de cobertura de 131%.

O SUCESSO DOS TÊXTEIS TÉCNICOS

Espanha é largamente o país que mais tem contribuído para este crescimento das exportações e é para onde o setor manda entre 30 a 40% de tudo o que produz. Em 2016, Espanha comprou mais €178 milhões a Portugal. “Mas ainda há regiões com grande potencial a explorar, como o País Basco e a Catalunha”, precisa o diretor geral da ATP. Está, por isso, a ser lançada aí a campanha Fashion From Portugal.

Mas a Alemanha também está a registar uma evolução positiva e foram ali faturados mais €26 milhões, sobretudo no que toca aos têxteis técnicos e funcionais, tecidos e vestuário com alta tecnologia incorporada. Um segmento em que a indústria se tem reconvertido com sucesso, acrescentando valor ao produto. “Estimamos que cerca de 35% de todo o têxtil e vestuário produzido em Portugal é de alta tecnicidade, e que possa chegar este ano aos 40%”, prevê Paulo Vaz.

Depois, há uns sinais curiosos, de países nórdicos a voltar a contratar em Portugal. Como o caso da Suécia, por exemplo, que, embora partindo de uma base muito baixa, regista um crescimento de 18%, mais €15 milhões. Paulo Vaz explica: “Os países nórdicos já foram grandes mercados para Portugal há uns 30 anos atrás, numa lógica de subcontratação. Perdemos relevância, porque a lógica das marcas começou a privilegiar o preço em relação à qualidade, levando-os para o Extremo Oriente. Mas há sinais de que estão a voltar, pois hoje o Oriente já não é o El Dorado de ontem.”

O custo de transporte e a qualidade, assim como a capacidade de fazer pequenas coleções rapidamente e entregas em tempo útil tem sido uma vantagem a favor de Portugal. E a situação de instabilidade política e de insegurança vivida em mercados como a Turquia e Norte de África obrigam as marcas a regressar a países mais seguros.

ACORDO TRANSATLÂNTICO E BREXIT: AS NUVENS NO HORIZONTE

Toda esta situação acabou por compensar as perdas sentidas em mercados que, há um ano, eram vistos como promissores: Estados Unidos (menos 7%) e Reino Unido (menos 1%).

Na América a caminho de Trump percebe-se que não é ainda claro o rumo das suas relações comerciais com a Europa. As negociações para um acordo de comércio transatlântico (TTIP) estão em banho-maria, a aguardar definições. E a queda não terá sido maior, porque o dólar subiu, tendo alcançado a paridade, mais coisa menos coisa, em relação ao euro. O que se perde em volume pode compensar-se, assim, em valor. E se antes os americanos preferiam largamento os têxteis lar, nota-se agora igualmente um apetite pelo vestuário.

Já o Reino Unido em tempo de Brexit é esperar para ver. Mas, entretanto, a libra teve um comportamento inverso ao dólar e baixou relativamente ao euro, “na ordem dos 20 a 30%”. Uma descida que em nada beneficia Portugal.

Uma coisa parece certa: “Houve uma mudança radical nesta indústria em Portugal. Deixou de se destacar pelo fator preço, para se realçar pelo valor.”

in Visão

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